O Plano Redentor de Deus

Introdução: O Erro, o Resgate e a Santidade

Vimos que a Bíblia é uma biblioteca vasta e inspirada. Mas qual é o fio condutor que une todas as suas páginas? A grande história da Bíblia é, fundamentalmente, a história da Redenção (ou Resgate).

Adão e Eva pecaram, e esse ato trouxe o mal para um mundo que era essencialmente bom. Como Paulo diz, "pois todos pecaram" (Rm 3.23). A palavra "pecado" significa "errar o alvo". E, tragicamente, a humanidade falhou completamente em acertar qualquer parte do alvo: obedecer, permanecer na vontade ou glorificar a Deus.

Contudo, mesmo diante da queda, Deus, em sua infinita sabedoria e amor, começou a arquitetar o resgate.

  • Redenção no hebraico é 'góel' ('resgatador') e no Antigo Testamento (AT) significava "parente" com o direito de resgate.
  • No Novo Testamento (NT), a ideia é de compra (Gl 3.13) e libertação (Ef 1.7).

O plano inicial de Deus sempre foi habitar conosco. Em Gênesis, Ele descia "na virada do dia" para conversar com Adão e Eva. Após o pecado, isso se tornou impossível, pois Ele é TOTALMENTE SANTO. É aí que entra o plano da redenção: Deus enviaria o nosso Goel, o Messias ("ungido"), que expiaria e propiciaria os nossos pecados (Calma, já explico a diferença!).

 

Vislumbres da Solução: O Tabernáculo e o Sacrifício

Enquanto esse dia não chegava, Deus usou estratégias para mostrar um vislumbre da solução. Toda a Bíblia aponta para Jesus, e o Pentateuco não é diferente. No Monte Sinai, Moisés recebeu o projeto arquitetônico do Tabernáculo, uma reprodução terrena do santuário celestial. Absolutamente TUDO nesse projeto — os móveis, a estrutura, os tipos de sacrifícios — era um spoiler apontando para Cristo.

O Tabernáculo demonstrava a riqueza da presença de Deus e, ao mesmo tempo, a restrição de acesso devido ao pecado. O Sumo Sacerdote só podia entrar no Santo dos Santos uma vez por ano, no Yom Kippur (Dia do Perdão).

Comecemos, então, pelo centro da solução: o sacrifício.

 

1. Nada Além do Sangue: O Cordeiro e o Sumo Sacerdote

A chave para a remissão do pecado estava no sangue. "Sem derramamento de sangue, não há remissão" (Hb 9.22). O sangue é a essência da vida e no sacrifício, representava a redenção através da entrega completa.

Levítico 4 descreve o sacrifício pela culpa involuntária dos sacerdotes. O Sumo Sacerdote sacrificava um novilho (boi) por si e por seus próprios pecados involuntários (Lv 4.1-12).

Aqui está o ponto impressionante de como Jesus cumpre o plano:

  1. O Sumo Sacerdote sacrificava um NOVILHO pelo seu próprio pecado.
  2. O sacrifício pelo pecado das pessoas do povo era um CORDEIRO.

Em Hebreus (Hb 2:17), lemos que Jesus é o nosso SUMO SACERDOTE. Mas Isaías 53 profetizou que Ele morreria como Cordeiro, não como Novilho! Por que essa distinção? Porque Jesus, o nosso Sumo Sacerdote, era SEM PECADOS! Ele não precisava se sacrificar por si mesmo. Ele tomou o nosso lugar, sendo o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

Nada na Bíblia é por acaso.

Jesus fez a obra de conciliação entre nós e Deus, cumprindo o plano inicial. Ele foi tanto expiação quanto propiciação por nós. Então, qual é a diferença entre expiação e propiciação?

  • Expiação: Tem a ver com remover a culpa, o ato de pagar a penalidade pelo pecado.
  • Propiciação: É a mudança na atitude de Deus (o objeto da expiação). O sacrifício de Cristo removeu a ira de Deus contra o pecado, restaurando-nos à comunhão e favor.

A expiação é o ato de Cristo na cruz; a propiciação é o resultado desse ato. Por meio dessa conciliação, não precisamos mais de sacrifícios, pois Jesus afastou para sempre a ira de Deus (Hb 9.23-28).

 

2. A Transferência da Culpa e a Santificação Definitiva

Os sacrifícios do Antigo Testamento ilustravam a transferência da culpa pela imposição das mãos do pecador sobre a cabeça do animal. O animal, tomava sobre si o pecado do ofertante e, sendo sacrificado, o pecador era purificado.

Nas ofertas pelo pecado, a transferência era na direção: o pecador transferia seus pecados para o animal.

Quando Jesus tomou o nosso lugar, Ele não recebeu o pecado de uma pessoa, mas todos os pecados de todas as pessoas de uma só vez. Aquele que era santo e puro recebeu a punição para que pudéssemos ter a habitação de Deus restaurada em nós.

Pelo cumprimento da vontade de Deus, "fomos santificados, por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas" (Hb 10.10).

O que doeu mais no Senhor? A cruz, a dor física, ou o peso insuportável de ter recebido todos os pecados? O preço foi inimaginável.

 

Conclusão: Um Sacrifício de Louvor Contínuo

Graças ao sacrifício de Jesus, somos salvos. Não precisamos mais viver uma vida constante de culpa e sacrifícios de animais. Em contrapartida, nossa responsabilidade aumenta. Antigamente, o acesso ao Pai era restrito: uma pessoa, uma vez por ano. Agora, temos livre acesso ao Pai o tempo todo, graças a Jesus.

Nossa resposta à redenção deve ser: "Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome" (Hb 13.15).

Que nossa vida seja um verdadeiro sacrifício de louvor a Ele. Não podemos banalizar o pecado nem a obra da cruz. Através da leitura da Palavra e da sensibilidade ao Espírito Santo, ganhamos consciência da grandiosidade do que Jesus fez.

Que possamos acordar todos os dias com gratidão e respeito, vivendo uma vida que esteja aos pés da cruz. Que essa consciência da Redenção nos leve a ser não apenas leitores, mas praticantes da Palavra de Deus.

 

Quer aprofundar seu entendimento sobre a Grande História da Bíblia?

Se você se sente confuso ao ler a Bíblia e deseja compreender como todas as suas partes se encaixam em uma única e poderosa narrativa, o livro "A História Épica da Bíblia" de Greg Gilbert é o guia essencial que você precisa. Com um estilo acessível e preciso, Gilbert te ajudará a explorar os temas principais e os diferentes gêneros das Escrituras, mostrando como cada livro, de Gênesis a Apocalipse, aponta para Jesus, o Rei.

Não perca a oportunidade de ler e estudar as Escrituras com confiança e apreciar toda a riqueza que a Palavra de Deus tem a oferecer!

Adquira “A História Épica da Bíblia” de Greg Gilbert agora mesmo

Livro A História Épica da Bíblia