Escrita por homens, mas inspirada por Deus

O que ela é, de onde ela veio.         

Você já parou para pensar como um livro escrito ao longo de mais de mil anos, por vários autores diferentes, consegue ser tão coeso e impactante e ao mesmo tempo, tão atual?

A Bíblia é uma coleção de sessenta e seis livros diferentes, escritos por mais de quarenta autores diferentes ao longo de aproximadamente mil e quinhentos anos, sendo que o último livro foi concluído a mais de dois mil anos. Incrível, não é?

Ela é um livro completo, contendo poemas, cartas,  sermões, canções, profecias, histórias de reinados e tantas outras coisas. Seus autores vieram de todas as áreas da vida, de reis como Davi e profetas (Isaías) a pescadores (Pedro, João), pastores (Amós), médicos (Lucas) e coletores de impostos (Mateus).

Eles escreveram em três continentes (Ásia, África e Europa) e em três idiomas (hebraico, aramaico e grego), em uma infinidade de circunstâncias, no deserto, na prisão, no palácio e em viagens.

Então, lendo isso, você deve se perguntar: “Como a Bíblia mantém a veracidade e coesão, sem contradições e totalmente voltada para a história da redenção”?

A resposta é o nosso foco principal, acreditamos que a Bíblia é, simultaneamente, totalmente humana e totalmente divina. É exatamente neste ponto que se encontra a beleza e o poder da Palavra de Deus. Ela é, em sua essência, “escrita por homens, mas inspirada por Deus”.

 

A participação humana: A comunicação baseada na individualidade e experiência de cada autor

Quando lemos sobre a inspiração divina na escrita humana, podemos pensar erroneamente que os escritores não tiveram uma participação criativa, como se fossem robôs, em que Deus usa apenas as suas mãos como instrumento para escrever aquilo que gostaria de passar, como se a mente deles tivesse sido anulada.

Mas não foi assim que aconteceu e sim como inspiração orgânica, através é claro, do Espírito Santo os guiando, usando a personalidade de cada um, suas experiências, estilo de escrita, contexto histórico em que estavam inseridos, e até mesmo os seus dilemas pessoais e limitações, porque como seres humanos que eram, também não eram perfeitos. E até isso Deus usou, para ensiná-los e nos ensinar também.

Vamos analisar como alguns autores foram “usados” em suas particularidades:

1. Paulo: O Teólogo

  • Quem era? Um fariseu rigoroso, educado aos pés de Gamaliel, mestre da lei judaica, e cidadão romano. Um intelectual brilhante.
  • Sua Particularidade: Paulo pensa de forma lógica, profunda e argumentativa. Seu treinamento como rabino é evidente.
  • Como isso aparece no texto?

Epístola aos Romanos: É um tratado teológico. Paulo constrói um argumento complexo, passo a passo, sobre justificação, pecado e graça.

Seu Estilo: Ele usa a retórica grega e rabínica. Faz perguntas e ele mesmo as responde (Ex: "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado...? De modo nenhum!"). Ele é denso e sua lógica é rigorosa.

2. Lucas: O Historiador e Médico

  • Quem era? Um médico (conforme Paulo o chama em Colossenses 4:14), um gentio culto e companheiro de viagem de Paulo.
  • Sua Particularidade: Ele tem a mente de um historiador e pesquisador. Ele é detalhista, ordenado e se preocupa com a cronologia. Como médico, ele nota detalhes humanos e demonstra compaixão.
  • Como isso aparece no texto?

Evangelho de Lucas (Prólogo 1:1-4): Ele começa seu evangelho como um historiador grego, dizendo que fez uma "acurada investigação" de tudo "desde o princípio" para escrever uma "narração em ordem".

Foco na Compaixão: O evangelho de Lucas é o que mais destaca as mulheres, os pobres, os samaritanos (o "Bom Samaritano") e os marginalizados. É o evangelho que apresenta Jesus como ser humano, o filho do homem. Nele temos informações únicas sobre Jesus, como detalhes sobre a sua infância, incluindo  o nascimento de João Batista.

Atos dos Apóstolos: É uma sequência histórica do movimento da igreja. Ele é um documento que conta o como foi o crescimento da igreja primitiva e a difusão do Evangelho. Ele serve como um relato histórico importantíssimo, conectando os ensinamentos de Jesus com a expansão do Cristianismo.

3. Davi: O Poeta e Homem Visceral

  • Quem era? Um pastor de ovelhas, músico, guerreiro, rei, e também um homem que falhou profundamente (adultério, assassinato).
  • Sua Particularidade: Davi era um homem de emoções extremas. Ele conhecia o topo da montanha da adoração e o fundo do poço do arrependimento, e isso podemos observar em suas músicas (salmos).
  • Como isso aparece no texto?

Os Salmos: São o reflexo direto de sua vida, fazendo ligação com os fatos históricos contados em Samuel, Reis e Crônicas.

Salmo 23: Só um pastor poderia escrever "O Senhor é o meu pastor...". Ele sabia o que era cuidar de ovelhas.

Salmo 51: Só um homem em profundo arrependimento após um pecado devastador poderia escrever "Cria em mim, ó Deus, um coração puro...".

Sua escrita não é lógica e teológica como a de Paulo; é poética, crua, emocional e honesta, eram salmos para serem cantados, cada um em sua categoria: lamentos, hinos de louvor, hinos de ação de graças, hinos que celebram a lei de Deus, Salmos de sabedoria, Canções de confiança, Salmos régios e históricos e hinos proféticos, entre tantos outros.

 

A perfeita sinfonia

Esse é o principal diferencial da Bíblia, ele não é um livro singular, é plural. Ele é uma completa sinfonia, que se encaixa perfeitamente a fim de apresentar um único propósito: Jesus!

É por isso que Deus em sua essência detalhista, escolheu pessoas tão diferentes para se completarem. Ele escolheu a lógica de Paulo para estruturar a doutrina, a pesquisa de Lucas para registrar a história, a emoção de Davi para nos ensinar como adorar e lamentar da maneira correta.

Deus usou essas pessoas e muitas outras para contar a história mais linda que já conhecemos, “A Grande História da Bíblia: O Plano Redentor de Deus”. E é justamente essa história que conheceremos no próximo blog. Esperamos você!